Em alguns momentos das nossas vidas é bom parar e fazer uma análise dela e de todas as coisas que estão ao  nosso redor. Isto é fundamental nos momentos de profusão mental, quando o cérebro parece ser inundado com milhões de idéias e eventuais escolhas que vão desde o que comer no jantar até o momento certo de ter um filho (e se realmente é necessário tê-lo). Podemos nos refugiar em vários lugares; como aulas de yoga ou terapias com um analista. Mas uma ferramenta muito boa para isso é a semiótica.

Parece pedante usar Peirce e mergulhar na teoria geral dos signos (que até hoje só foi estudada a fim de fazer um trabalho final sobre o Kitch) para tratar de um assunto muito mais cotidiano e carnal; parece pedante porque realmente é! Não é necessário saber de cór a diferença entre signo, símbolo e objeto para encontrar algo útil em tudo isso, na verdade não é preciso nem saber o que é semiótica ou quem foi Peirce.

Dá pra resumir toda a semiótica na máxima “quando penso, penso sobre a coisa pensada”. Isto  é muito bizarro a principio, mas se trata de um exercício simples que crianças de 5 anos praticam diariamente e nós, muitas vezes, classificamos como idiota. Achamos idiota porque na verdade para nós o mundo das idéias é como uma grande esfera de conhecimento envolta por uma espessa camada  de clichês.

Quanto mais aprendemos sobre um assunto muito específico mais o nosso conhecimento é absorvido por clichês e mais perto chegamos da alienação. Conhecer significa ver algo antigo como novo, provar algo diferente, mostrar uma nova idéia… é suspender toda essa crosta do cotidiano e buscar uma nova referência para aquilo que até hoje parecia banal, sem importância.

Saber pode ser uma mera ilusão da própria ignorância, muitas vezes é preciso desconhecer para daí reconhecer o novo. Numa frase do escritor Rubens Alves: “O pensamento é um sentido ‘mágico’ porque temo poder trazer à existência coisas que não existem e tratar as coisas que existem como se não existissem.”

Por: Agrado

Anúncios