Quando assisti ao trailer de “O ilusionista” (The Illusionist- 2010) logo imaginei que se tratava de um Bicicletas de Bellevile 2. Porém percebi que havia me enganado logo nos primeiros minutos; não pode-se negar a imensa semelhança entre os personagens e os cenários, mas a semelhança acaba por ai. Baseado numa carta de Jacques Tati à sua filha, o protagonista (o mágico) tem todos os trejeitos do personagem de Tati no filme “Meu tio” (Mon Oncle– 1956). Mas é possível perceber que enquanto “Meu tio” analisa o futuro com uma ótica antiga, “O Ilusionista” faz isto numa maneira bastante nostálgica com o passado. Em 1956, a Europa estava passando por uma fase pós-guerra, em que cidades eram reconstruídas do zero; a palavra de ordem era produzir, visando algo mais moderno, mais arrojado e mais tecnológico. Hoje, mais de 50 anos depois, passamos por várias revoluções, inúmeras crises e percebemos que nada dura pra sempre: nem o sonho. O moderno tornou-se vintage, as pernas palitos hoje reinam em releituras dos anos 60 e finalmente notamos que o futuro não é afinal tão “futuro” como imagina a irmã de Tati na sua “Vila Arpel”. “O Ilusionista” retrata, na pele de um mágico não muito bem-sucedido, exatamente essa percepção contemporânea de que sonhos desaparecem, sempre dão lugar a uma realidade e que somos obrigados a nos acostumar com ela. Contudo evidencia que nem tudo está perdido, que um coelho neurótico pode encontrar a felicidade nos montes e que a menina desiludida com o bilhete “Magicians do not exist” ainda pode ser feliz com o seu amor.

Por: Agrado

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