Poesia


Somewhere in canada

Por: Agrado

Sempre acho fofo quando livros ou filmes envolvem culinária no seu enredo, principalmente quando fazem isso embutindo receitas ou dando dicas de como deixar seu assado mais suculento. Portanto, decidi postar alguns versos, extraídos das falas do personagem Ragueneau na comédia Cyrano de Bergerac (sem apologias com meu nome, Ok?):

 

TORTAZINHAS DE AMÊNDOAS E MODO DE AS FORMAR

Batam-se bem alguns ovos
-inda novos-
Nas ondas que a espuma trouxe,

Julia child- a mulher que ensinou a América a cozinhar

De cidra o sumo se deite,
Grosso leite,
Bom leite de amêndoa doce.

Passe-se dentro da lata
Fresca nata
Em formas de bom-bocado:
De damasco a borda peje-se;
E despeje-se
Gota a gota com cuidado.

Tudo na fôrma, de forma
Que essa fôrma
Vá para o forno; e – rendendo-a,
Sigam-se as outras; saindo,
Venham vindo
As tortazinhas de amêndoa.


Por: Agrado.

Ganhei de aniversário “Em alguma parte alguma”, o novo livro de poesia do Ferreira Gullar. A princípio fiquei meio hummmm, poesia?!, mas depois de ler o começo me peguei gostando um monte do livro. Não achei no google o poema que eu queria colocar aqui, mas vou colocar outros dois que também são bons (e os único que eu consegui encontrar).

Anoitecer em Outubro
.
A noite cai, chove manso lá fora
meu gato dorme
enrodilhado
na cadeira

Num dia qualquer
não existirá mais
nenhum de nós dois

para ouvir

nesta sala

a chuva que eventualmente caia

sobre as calçadas da rua Duvivier

.
.
.
.
.
Flagrante

o meu gato
na cadeira
se coça

corto papéis coloridos na sala

e os colo num caderno

a manhã clara canta na janela

estou eterno

.
.
.

Manu