Vida Pessoal


Por: Agrado

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Ontem à noite me encontrei com Andrea e Sole num café atrás do teatro Guaíra. Apesar do trânsito pesado (descobrimos depois que era por causa de um show sertanejo e não da venda de ingressos do Chico Buarque…) e de outros acidentes de percurso que tiraram Sole do nosso rendez-vous, foi uma noite maravilhosa! Após alguns martinis, a conversa rumou para a o tema ‘família’. Ficamos algum tempo falando as manias de nossos pais e avós, sem constatarmos uma cruel realidade: estamos ficando iguais a eles!

Ao invés de lamentar esta triste realidade, achei melhor retratá-la de uma maneira mais cômica fazendo um breve check list de:

 
Como saber quando você está ficando velha
 
-Quando você chega em casa e ainda é 23h45h;
-Quando dormir menos de 8h por noite é algo inadmissível;
-Quando você bebe martini ou campari (o que, além de velha, te transforma numa vadia);
-Quando você gosta de coisas feitas de nozes, pistache, amêndoas ou passas;
-Quando dormir numa cama de solteiro é algo desconfortável;
-Quando dormir acompanhado numa cama de solteiro é algo impraticável;
-Quando você acha que o sistema solar tem 9 planetas;
-Quando você inclui nas suas conversas palavras como ‘glicólico’ e ‘retinóico’;
-Quando você sabe o que é mimeógrafo;
-Quando você convida seus amigos para tomar café;
-Quando é preciso contar há quantos anos você conhece seus amigos de faculdade;
-Quando você troca o nome das pessoas espontaneamente;
E a pior de todas
-Quando você acha que todas as épocas anteriores da sua vida foram melhores que a atual.
 

Por: Agrado

Mafalda é um dos personagens mais cativantes das tirinhas dos jornais. Criada em 1964 pelo cartunista argentino Quino, teve suas histórias publicadas em diversos periódicos ao longo de uma década. Dotada de um humor sarcástico, Mafalda sempre foi preocupada com a humanidade, a paz e com a situação do estado. Selecionei as frases mais marcantes dela e que mais condizem com o meu, e provavelmente seu, estado de espírito:

“Pobrezinha, fizeram de você um mero capacho para limpar os pés antes de entrar no Universo” (Mafalda, sobre a lua)

“Se a vida começa aos 40, por que nascemos com tanta antecedência?”

“Se o Fidel dissesse que é boa, todos diriam que a sopa é ruim!”

“Coitado.” (Mafalda, após saber que Deus está em todos os lugares)

“Se é uma questão de títulos, eu sou sua filha. E nos diplomamos no mesmo dia! Ou não?”

“Boa noite mundo! Boa noite e até amanhã, mas fique de olho! Tem muita gente irresponsável acordada, viu?”

“Já que há mundos mais evoluídos, porquê eu tive que nascer justo neste?”

“Será que Deus patenteou essa idéia de manicômio redondo?”

“O urgente nunca deixa tempo para o importante.”

E a melhor de todas…

“Justo a mim coube ser eu!”

 

Por: Agrado

Quando assisti ao trailer de “O ilusionista” (The Illusionist- 2010) logo imaginei que se tratava de um Bicicletas de Bellevile 2. Porém percebi que havia me enganado logo nos primeiros minutos; não pode-se negar a imensa semelhança entre os personagens e os cenários, mas a semelhança acaba por ai. Baseado numa carta de Jacques Tati à sua filha, o protagonista (o mágico) tem todos os trejeitos do personagem de Tati no filme “Meu tio” (Mon Oncle– 1956). Mas é possível perceber que enquanto “Meu tio” analisa o futuro com uma ótica antiga, “O Ilusionista” faz isto numa maneira bastante nostálgica com o passado. Em 1956, a Europa estava passando por uma fase pós-guerra, em que cidades eram reconstruídas do zero; a palavra de ordem era produzir, visando algo mais moderno, mais arrojado e mais tecnológico. Hoje, mais de 50 anos depois, passamos por várias revoluções, inúmeras crises e percebemos que nada dura pra sempre: nem o sonho. O moderno tornou-se vintage, as pernas palitos hoje reinam em releituras dos anos 60 e finalmente notamos que o futuro não é afinal tão “futuro” como imagina a irmã de Tati na sua “Vila Arpel”. “O Ilusionista” retrata, na pele de um mágico não muito bem-sucedido, exatamente essa percepção contemporânea de que sonhos desaparecem, sempre dão lugar a uma realidade e que somos obrigados a nos acostumar com ela. Contudo evidencia que nem tudo está perdido, que um coelho neurótico pode encontrar a felicidade nos montes e que a menina desiludida com o bilhete “Magicians do not exist” ainda pode ser feliz com o seu amor.

Por: Agrado

Em alguns momentos das nossas vidas é bom parar e fazer uma análise dela e de todas as coisas que estão ao  nosso redor. Isto é fundamental nos momentos de profusão mental, quando o cérebro parece ser inundado com milhões de idéias e eventuais escolhas que vão desde o que comer no jantar até o momento certo de ter um filho (e se realmente é necessário tê-lo). Podemos nos refugiar em vários lugares; como aulas de yoga ou terapias com um analista. Mas uma ferramenta muito boa para isso é a semiótica.

Parece pedante usar Peirce e mergulhar na teoria geral dos signos (que até hoje só foi estudada a fim de fazer um trabalho final sobre o Kitch) para tratar de um assunto muito mais cotidiano e carnal; parece pedante porque realmente é! Não é necessário saber de cór a diferença entre signo, símbolo e objeto para encontrar algo útil em tudo isso, na verdade não é preciso nem saber o que é semiótica ou quem foi Peirce.

Dá pra resumir toda a semiótica na máxima “quando penso, penso sobre a coisa pensada”. Isto  é muito bizarro a principio, mas se trata de um exercício simples que crianças de 5 anos praticam diariamente e nós, muitas vezes, classificamos como idiota. Achamos idiota porque na verdade para nós o mundo das idéias é como uma grande esfera de conhecimento envolta por uma espessa camada  de clichês.

Quanto mais aprendemos sobre um assunto muito específico mais o nosso conhecimento é absorvido por clichês e mais perto chegamos da alienação. Conhecer significa ver algo antigo como novo, provar algo diferente, mostrar uma nova idéia… é suspender toda essa crosta do cotidiano e buscar uma nova referência para aquilo que até hoje parecia banal, sem importância.

Saber pode ser uma mera ilusão da própria ignorância, muitas vezes é preciso desconhecer para daí reconhecer o novo. Numa frase do escritor Rubens Alves: “O pensamento é um sentido ‘mágico’ porque temo poder trazer à existência coisas que não existem e tratar as coisas que existem como se não existissem.”

Por: Agrado

Um provérbio africano conta que não devemos experimentar a profundidade de um rio com os dois pés. A cautela sempre parece a maneira mais correta e menos insana de se fazer qualquer coisa; o grande problema é que a segurança beira o comodismo. Em vários momentos das nossas vidas temos de pegar as fichas e apostar, fazer alguma escolha (nem que seja com umas doses de Martini na cabeça), ou logo teremos de deixar a mesa. Apostamos em tudo, desde uma promoção no emprego até num relacionamento sério. No meu caso decidi fazer uma aposta mais alta e com maior risco: mudar de país.

Cada um sabe bem a dor e o prazer que é ser um brasileiro. Sou muito bairrista neste ponto: acredito veemente que moro na melhor cidade do país (embora o Rio muitas vezes me encante) e acho muito chique dizer “sou brasileiro”. Não preciso depreciar meu país para validar a minha aposta.

Tudo bem, mas sair de férias e visitar outro país é bem diferente do que se mudar. Existem inúmeros fatores que um turista não precisa se preocupar como emprego ou dinheiro. Admito muitas vezes que a vontade de sair me deixou cego a ponto de não conseguir responder prontamente a questão “o que fazer?”. Decidi então no começo desse ano fazer uma aposta ainda maior: fazer outra faculdade.

Para tanto preferi adiar mais um ano a minha viagem e me preparar melhor para ter mais chances de sucesso. Estou fazendo um all in apostando tudo no que provavelmente será a maior empreitada na minha vida. Escolher o local foi só um primeiro passo (realizado há uns 6 anos pelo menos) do que se tornará uma tentativa de mudar de profissão, de mercado de trabalho e ainda de quebra sair da casa dos pais.

Pode ser que dê tudo errado e que eu me meta numa grande furada? Infelizmente pode. Espero que nesse caso eu possa voltar para a segurança que tenho hoje e com um pouco mais de experiência na vida. Mas pode ser que eu faça esta aposta com um royal straight flush em mãos. Em resumo eu tenho apenas uma única certeza; que minhas chances de ganhar serão muito menores caso eu não faça apostas e deixe a mesa.

 

Por: Agrado

Cansei desse negócio de ser jovem.

As festas são muito boas, sair e tomar porre com os amigos é muito divertido, ter o corpão no lugar ( mazomeno, né?) é legal… mas pra mim chega! Cansei das preocupações dos jovens! Somos um aglomerado das preocupações mais fúteis com as preocupações mais sérias da psique humana. Nos preocupamos com a mesma intensidade sobre a roupa que usaremos no final de semana e as dificuldades do início da vida profissional. Não sabemos exatamente quem somos e nem exatamente o que queremos. Parece-me que nós, jovens, só sabemos do que não gostamos, e isso costuma incluir quase tudo que não contenha álcool.

Até os relacionamentos passam pelas fases mais complicadas quando somos jovens! Tudo é muito mais intenso e, portanto, parece muito mais problemático. Ainda temos muito fresco na memória os filmes da Disney que assistíamos no cinema todas as férias de inverno com as coleguinhas da quarta A e, por isso, ainda temos uma visão muito conturbada, inocente e distorcida sobre sapos, príncipes encantados… e cabelos compridos, brilhantes e esvoaçantes de princesa.

Temos toda a vontade e nenhum dinheiro (e preparo) para conseguirmos nossa almejada independência dos pais. Infelizmente não somos donos do”nosso próprio nariz” “embaixo do teto” deles. Expressões essas, que nos acostumamos a ouvir na fase de transição criança/adolescente. Aliás, passamos por uma crise de identidade igual àquela. Pelo menos temos menos espinhas e já tiramos o aparelho!

Não entendo quando as tiazinhas (não falo daquela que vê ET’s) nos dizem: “Aproveita! Essa é a melhor época da vida!” Melhor época da vida? Passo.

Se até o auge sexual da mulher vem com a maturidade, fico com os porres mas dispenso todo o resto da juventude. Quero logo que chegue a fase onde tudo está resolvido! Pulo direto pra etapa onde me preocupo se o meu salário vai pagar a escola das crianças, e não quando vou conseguir meu primeiro salário. Pulo direto pra fase onde me preocupo se meu marido anda dando em cima da secretária e não em quando vou arrumar um marido. Vôo pra época em que me preocupo em quando visitarei minha mãe e não em como me livrar dela.

 

Sabe aquela história de “ela viveu feliz para sempre”? Não vejo a hora que chegue esse tal de “pra sempre”!

 

Por: Andrea Caracortada

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