Vida Profissional


Um provérbio africano conta que não devemos experimentar a profundidade de um rio com os dois pés. A cautela sempre parece a maneira mais correta e menos insana de se fazer qualquer coisa; o grande problema é que a segurança beira o comodismo. Em vários momentos das nossas vidas temos de pegar as fichas e apostar, fazer alguma escolha (nem que seja com umas doses de Martini na cabeça), ou logo teremos de deixar a mesa. Apostamos em tudo, desde uma promoção no emprego até num relacionamento sério. No meu caso decidi fazer uma aposta mais alta e com maior risco: mudar de país.

Cada um sabe bem a dor e o prazer que é ser um brasileiro. Sou muito bairrista neste ponto: acredito veemente que moro na melhor cidade do país (embora o Rio muitas vezes me encante) e acho muito chique dizer “sou brasileiro”. Não preciso depreciar meu país para validar a minha aposta.

Tudo bem, mas sair de férias e visitar outro país é bem diferente do que se mudar. Existem inúmeros fatores que um turista não precisa se preocupar como emprego ou dinheiro. Admito muitas vezes que a vontade de sair me deixou cego a ponto de não conseguir responder prontamente a questão “o que fazer?”. Decidi então no começo desse ano fazer uma aposta ainda maior: fazer outra faculdade.

Para tanto preferi adiar mais um ano a minha viagem e me preparar melhor para ter mais chances de sucesso. Estou fazendo um all in apostando tudo no que provavelmente será a maior empreitada na minha vida. Escolher o local foi só um primeiro passo (realizado há uns 6 anos pelo menos) do que se tornará uma tentativa de mudar de profissão, de mercado de trabalho e ainda de quebra sair da casa dos pais.

Pode ser que dê tudo errado e que eu me meta numa grande furada? Infelizmente pode. Espero que nesse caso eu possa voltar para a segurança que tenho hoje e com um pouco mais de experiência na vida. Mas pode ser que eu faça esta aposta com um royal straight flush em mãos. Em resumo eu tenho apenas uma única certeza; que minhas chances de ganhar serão muito menores caso eu não faça apostas e deixe a mesa.

 

Por: Agrado

Cansei desse negócio de ser jovem.

As festas são muito boas, sair e tomar porre com os amigos é muito divertido, ter o corpão no lugar ( mazomeno, né?) é legal… mas pra mim chega! Cansei das preocupações dos jovens! Somos um aglomerado das preocupações mais fúteis com as preocupações mais sérias da psique humana. Nos preocupamos com a mesma intensidade sobre a roupa que usaremos no final de semana e as dificuldades do início da vida profissional. Não sabemos exatamente quem somos e nem exatamente o que queremos. Parece-me que nós, jovens, só sabemos do que não gostamos, e isso costuma incluir quase tudo que não contenha álcool.

Até os relacionamentos passam pelas fases mais complicadas quando somos jovens! Tudo é muito mais intenso e, portanto, parece muito mais problemático. Ainda temos muito fresco na memória os filmes da Disney que assistíamos no cinema todas as férias de inverno com as coleguinhas da quarta A e, por isso, ainda temos uma visão muito conturbada, inocente e distorcida sobre sapos, príncipes encantados… e cabelos compridos, brilhantes e esvoaçantes de princesa.

Temos toda a vontade e nenhum dinheiro (e preparo) para conseguirmos nossa almejada independência dos pais. Infelizmente não somos donos do”nosso próprio nariz” “embaixo do teto” deles. Expressões essas, que nos acostumamos a ouvir na fase de transição criança/adolescente. Aliás, passamos por uma crise de identidade igual àquela. Pelo menos temos menos espinhas e já tiramos o aparelho!

Não entendo quando as tiazinhas (não falo daquela que vê ET’s) nos dizem: “Aproveita! Essa é a melhor época da vida!” Melhor época da vida? Passo.

Se até o auge sexual da mulher vem com a maturidade, fico com os porres mas dispenso todo o resto da juventude. Quero logo que chegue a fase onde tudo está resolvido! Pulo direto pra etapa onde me preocupo se o meu salário vai pagar a escola das crianças, e não quando vou conseguir meu primeiro salário. Pulo direto pra fase onde me preocupo se meu marido anda dando em cima da secretária e não em quando vou arrumar um marido. Vôo pra época em que me preocupo em quando visitarei minha mãe e não em como me livrar dela.

 

Sabe aquela história de “ela viveu feliz para sempre”? Não vejo a hora que chegue esse tal de “pra sempre”!

 

Por: Andrea Caracortada

Na faculdade aprendemos projeto, desenho geométrico, teoria das cores e até antropologia, mas o principal, de como ganhar dinheiro, ninguém se deu o trabalho de ensinar.

Temos tempo, força de vontade e idéias maravilhosas. Misturamos tudo, colocamos pra assar e voilá, criamos uma masterpiece! Mas e agora?! No final das contas, quem vai achar lindo e mostrar pra todo mundo vai ser a sua mãe, e depois de um tempo sua bela masterpiece vai ficar no armário até ficar velha o suficiente para sua mãe dar para a vizinha.

Então para simplificar tudo, a grande força de vontade agora seria me jogar numa cadeira destas e ficar por um bom tempo…

Por: Manuela